sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Tola esperteza!

É com essas duas palavras que defino esta crônica. Era a década de setenta, eu com alguns trocados no bolso e louco para comer um chocolate. Entrei no extinto Supermercado Popular, aquele que tinha como símbolo uma foca, lá pertinho da Vila familiar, chamada também como “Vila do Sossego”, em que eu morava.


O dinheiro que tinha dava para comprar o chocolate mais barato. E ai veio a grande ideia. Naquele tempo não existia código de barras o preço vinha marcado no produto com uma etiquetinha de papel. Não haviam câmeras e o caixa era analógico (mecânico). Então, peguei o chocolate mais caro e aquele mais baratinho e quando não tinha ninguém olhando troquei as etiquetas e com a maior calma passei no caixa. Paguei dois cruzeiros no chocolate que custava cinco cruzeiros. Eu nunca tinha comido daquele chocolate, era mais macio, mais doce, muito mais gostoso.



Na mesma semana ganhei mais dinheiro da minha mãe e quis ser esperto novamente. Entrei no Supermercado Popular, caminhei pelos corredores de pisos avermelhados, escolhi dois chocolates, troquei as etiquetas, parecia fácil, dei mais algumas voltas pelos corredores e me dirigi ao caixa. Ao entregar o chocolate com valor adulterado a caixa do Supermercado Popular deu um sorriso e em tom de ironia disse: -"O preço deste chocolate está errado, você pode pegar outro ali na prateleira?". A vergonha era tanta que não cabia naquele menino de nove anos. Fui até a prateleira e peguei um que podia pagar. Já não me achava mais esperto.

O pior é que sempre que entrava naquele comércio, sentia que alguém seguia meus passos, como se eu fosse novamente praticar aquele crime das etiquetinhas.

Não vou mentir, foi no final de minha adolescência que larguei estas tolas espertezas. Não conseguimos enganar todo o mundo em todos os momentos. Sempre há alguém mais esperto ou ‘vacinado’.

Hoje o nome daquele supermercado é outro e aquele menino que pensava ser esperto já não existe mais. Vejo essas “tolas espertezas” como uma “doença psicológica cultural”, onde pensam que o mais esperto sempre vence!




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