sexta-feira, 31 de março de 2017

Brasília Verde Abacate. 

O ano - 1978! Conversava com um amigo de escola - Marcel,
estudava no antigo SESI na Rua Santa Terezinha, e com orgulho falava do carro que meu pai tinha comprado: - “Brasília cor de abacate, ano 1974”.

Na semana seguinte já estávamos descendo a serra do mar em direção à Caraguatatuba com a “Brasília cor de abacate”. Ficamos na casa de um amigo de meu pai e a praia que sempre ficávamos era a “Martin de Sá”. Estas crônicas deveriam ser apenas sobre Jacareí, mas como a “Martim de Sá” é uma “Praça Conde de Frontin” com praia e mar onde todo mundo que a gente se esbarra é Jacareiense, abri um procedente.

As ondas estavam maravilhosamente gigantescas, Alguém disse: - “houve uma tempestade no oceano”. Creio que a primeira vez que vemos o mar sempre é a mais marcante.

Há outras histórias inesquecíveis. Eu e um dos meus primos comemos o pato que estava no porta-malas em um tupperware e quando meu pai saiu da praia para o almoço não encontrou nada do pato, e ele falou...! Falou por décadas sobre o pato que sumiu sem saber quem eram os criminosos! E as guerras de areia entre irmão e primos sempre saia alguém machucado! Pegávamos jacarés e mariscos!




Voltando para a Jacareí oficial meu pai sempre gostava de encher a “Brasília verde” de filhos e sobrinhos e sair sem rumo. Fomos ao bairro do Bom Jesus e nos chamaram em gente da cidade. No alto do Parque Santo Antonio, podíamos ver as luzes da cidade e as estrelas no céu. Ele não queria nos mostrar somente as coisas boas, nos levando à Avenida Mississipi. Lá nos mostrou a favela que
naquele tempo era pequena, e que existiam pessoas ainda mais pobres.

Minha mãe sempre elogiava o modo que meu irmão mais velho
dirigia. Certa vez, depois de deixar ela e meu pai na casa de alguém, dirigimos para Dutra e fomos até onde o ponteiro do velocímetro podia marcar. Deu mais de 120 quilômetros por hora e o frio na barriga foi inevitável!



Não tenho como esquecer os dias de natal. Quando ia anoitecendo
íamos fazendo nossa via sacra nas casas dos parentes. Na casa de minha tia Loca, no Jardim Jacinto, meu pai vestiu-se de Noel. Foi o Noel mais magro que já vi. Os olhos de meu irmão brilharam quando a barba branca e falsa caiu. Aquele velhinho de vermelho entregou os presentes, ceamos e depois partimos. Fomos à Rua Caçapava na casa de minha tia Alice. Meu pai tomou uma dose de Whisky e
minha mãe conversava com minha tia. Eu e meu irmão víamos os
últimos fogos da noite. Foi um dos melhores Natais que passei com meus pais.

Tudo um dia acaba e meu pai vendeu a “Brasília verde” abacate para minha irmã, e mais tarde a revendeu. Hoje ainda vejo algumas rodarem por ai. E sempre meus olhos se enchem de emoção,lembranças, alegrias e tristezas.





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